Decisão que ‘suspendeu’ deputado por confusão em hospital complica caso de vereadora de Bacabeira

Decisão tomada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados na última terça-feira (10), que suspendeu o deputado Boca Aberta por seis meses, complica a situação da vereadora Kellyane Calvet (PMB), em Bacabeira, acusada por quebra de decoro parlamentar, após invadir o Hospital e Maternidade “Naila Teixeira de Sousa” (Naila Gonçalo) e protagonizar “insultos” a funcionários da unidade de saúde.

Assim como a vereadora bacabeirense, o deputado federal foi alvo de uma representação por uma ação realizada na madrugada do dia 17 de março deste ano, quando o parlamentar entrou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jataizinho, região metropolitana de Londrina (PR), e flagrou um médico dormindo durante o plantão. Boca Aberta teria iniciado um tumulto, constrangendo médicos, demais profissionais da saúde e guardas municipais que estavam no local. O episódio também foi mostrado pelo deputado em suas redes sociais, o que caracterizaria exposição indevida dos profissionais.

Em Bacabeira, a situação é ainda mais grave: além das ofensas e palavras de baixo calão que atingiram a honra de servidores, a parlamentar é acusada de expor pacientes em situações constrangedoras, infringindo, o direito à intimidade dos enfermos.

Como se não bastasse, Kellyane Calvet também está sendo acusada de invadir a unidade hospitalar com o blogueiro Rony Cardoso que se passou por vereador do município. No primeiro momento, segundo relatos de testemunhas que presenciaram o fato, a direção do hospital ainda tentou barrar a entrada do blogueiro que reside em Santa Rita.

CASO SEMELHANTE
Em setembro deste ano, o vereador Elias Ferrara (PSD), de Leme (SP), teve o mandato cassado em sessão extraordinária na Câmara Municipal, na tarde do dia 30 daquele mês, por quebra de decoro parlamentar.

A sessão durou quatro horas e a decisão foi por 14 votos a favor e 2 contra. Os vereadores consideraram que Ferrara cometeu crime de calúnia contra um funcionário comissionado da prefeitura ao protocolar um requerimento pedindo à administração municipal informações sobre o seu remanejamento de função.

A denúncia acatada pela Casa dizia que Ferrara havia infringido o inciso 3º do artigo 7º do Decreto-Lei 201/67 e o artigo 351º do Regimento Interno. O vereador foi substituído pela suplente Josiane Cristina Francisco Pietro (PSD), que trabalhava na Secretaria de Assistência de Desenvolvimento Social.

Por conta do quiproquó protagonizado por Kellyane Calvet, uma representação com pedido de cassação do mandato da parlamentar foi protocolada na semana passada no legislativo bacabeirense.

A denúncia assinada pelo secretário de Saúde, Lucas Lindoso, conhecido por Capitão Lucas, diz que Kellyane teria infringido o inciso II, parágrafo 1º do artigo 41 da Lei Orgânica e o artigo 45 do Regimento Interno. A vereadora também pode ser acionada na Justiça Comum por estelionato, crime tipificado no artigo 171 do Código Penal.

Se tiver o mandato cassado pela Câmara, a vereadora será substituída pelo suplente Fabio Torres (PTN), que foi titular da Secretaria de Assistência de Desenvolvimento Social, nos dos anos da atual gestão.

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