Biojoias que contam histórias: o trabalho de Ioneide Silva no Quilombo São José dos Britos
No Quilombo São José dos Britos, a artesã Ioneide Silva encontrou nas sementes da própria terra uma forma de transformar tradição em sustento. Desde 2021, ela produz biojoias que vão além da estética, carregando identidade cultural, memória coletiva e um profundo respeito pela natureza. Sua trajetória começou de maneira simples, a partir de uma proposta dentro de um grupo comunitário que buscava desenvolver atividades que envolvessem os moradores e valorizassem os recursos locais.
O que inicialmente parecia apenas uma experiência despretensiosa logo se transformou em um aprendizado contínuo. Ao lado de outras mulheres da comunidade, Ioneide passou a coletar sementes e estudar suas possibilidades no artesanato. Entre os materiais utilizados estão sementes de açaí, ipê, Santa Maria e bacaba, que ganham novas formas em colares, pulseiras e acessórios únicos, todos feitos manualmente.
Com o tempo, o trabalho artesanal também se consolidou como fonte de renda. As encomendas começaram a surgir, ampliando as oportunidades de divulgação das peças e da cultura quilombola. Cada biojoia produzida por Ioneide leva consigo não apenas beleza, mas também a história e os saberes tradicionais de sua comunidade, despertando o interesse de diferentes públicos.
Além da produção artesanal, Ioneide participa do Grupo Tambor de Crioula Raízes de Quilombo, onde suas próprias biojoias compõem o figurino das apresentações culturais. Para ela, o artesanato representa mais do que um meio de sobrevivência: é uma forma de manter vivas as tradições, fortalecer a identidade quilombola e reafirmar a importância da relação sustentável com o meio ambiente.